Como Marcos Fernández transforma percepção, natureza e abstração em linguagem visual para o futuro da cultura digital
Ao longo da última década, o audiovisual digital deixou de ser apenas um recurso técnico para se consolidar como uma linguagem cultural autônoma. Nesse território híbrido, onde imagem, som e percepção se encontram, o trabalho de Marcos Fernández, conhecido como CATMAC, ocupa um lugar singular.
Com formação interrompida em Psicologia da Percepção, Fernández desloca o rigor científico para o campo sensível da arte visual. Seus loops e animações exploram um ponto de tensão constante entre representação realista e abstração pura, criando aquilo que ele próprio investiga como “paisagens em movimento” , imagens que evocam natureza, mas se recusam a fixar forma ou território.

O impacto de CATMAC ultrapassa o circuito autoral. Ao disponibilizar grande parte de seus loops como material livre desde 2012, o artista influenciou profundamente uma geração ligada ao clubbing, ao videomapping arquitetônico e às artes performáticas. Sua obra não se impõe como assinatura fechada, mas como ecossistema visual em expansão, apropriável e reconfigurável.
Seus trabalhos operam como padrões perceptivos. Ondas, texturas e fluxos digitais ativam respostas emocionais que oscilam entre reconhecimento e estranhamento. O espectador não observa uma paisagem: ele a atravessa. Nesse gesto, CATMAC antecipa uma discussão central do nosso tempo, como a tecnologia não apenas representa o mundo, mas cria novas formas de senti-lo.
Esse trabalho simboliza uma virada cultural: a imagem deixa de ser estática, a tela deixa de ser limite, e o audiovisual passa a operar como experiência sensorial expandida. Um vocabulário essencial para compreender o futuro da arte, da arquitetura e da comunicação visual.