Marca fundada por Jasmin Larian Hekmat leva à passarela uma coleção que articula herança iraniana, técnicas estruturais e acessórios escultóricos na temporada Fall 2026.
A Cult Gaia apresentou sua coleção Fall 2026, intitulada “Shirzan”, em desfile assinado por sua fundadora e diretora criativa Jasmin Larian Hekmat. A abertura da apresentação foi marcada por uma gravação da avó da estilista cantando uma música da artista iraniana Marzieh, estabelecendo o eixo conceitual da temporada: memória, herança cultural e construção de identidade por meio do vestuário. O nome da coleção, que significa leoa em farsi, orienta a narrativa sobre força feminina e presença.

Fundada em Los Angeles em 2012 por Jasmin Larian Hekmat, a Cult Gaia iniciou sua trajetória com acessórios e consolidou-se globalmente a partir de bolsas de apelo escultórico. Ao longo dos últimos anos, expandiu seu portfólio para ready-to-wear, calçados e joias, mantendo como estratégia central a intersecção entre objeto e roupa. Com presença em grandes varejistas internacionais e boutiques próprias em cidades como Los Angeles, Nova York e Miami, a marca construiu um posicionamento baseado em formas arquitetônicas e design orientado à silhueta.

Na temporada Fall 2026, técnicas tradicionalmente associadas à ornamentação passam a desempenhar função estrutural. Plissados são ampliados e prensados para criar volumes definidos. Fitas e sobreposições geram profundidade visual. O motivo da calla lily, recorrente no repertório da Cult Gaia, aparece em ferragens, joias e modelagens, assumindo papel construtivo. Bordados densos, aplicação manual de cristais e trabalhos em pedraria acompanham contornos do corpo com precisão. As bolsas seguem como eixo da coleção, incluindo um modelo em metal mesh em formato de leão, referência direta à simbologia iraniana de proteção e soberania. Nos calçados, um pump com cabedal dobrado em couro reproduz a forma da flor, enquanto o salto em latão escovado reforça a ênfase material.

O movimento de tratar decoração como estrutura dialoga com uma tendência mais ampla do mercado de luxo, em que acessórios e superfícies passam a sustentar a identidade visual das marcas. Em um cenário de saturação estética e aceleração de ciclos, a construção técnica e o repertório simbólico tornam-se ferramentas de diferenciação. Ao integrar herança cultural e engenharia de produto, a coleção se insere em um debate atual sobre autoria, memória e valor material na moda contemporânea.

A Complete Magazine acompanha movimentos que articulam design, indústria e cultura. A coleção “Shirzan” se conecta a essa observação ao evidenciar como códigos pessoais e técnicas de construção podem redefinir o papel do acessório no sistema de moda atual.
