Dior Primavera-Verano 2026: el futuro como espejo de la memoria
En un escenario dominado por una pirámide invertida y un vídeo del documentalista Adam Curtis, la maison revisitó su propia historia con una lectura tecnológica y cinematográfica.
Escrito por
Caíque NucciEscrito por Caíque Nucci
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En la Semana de Moda de París, Jonathan Anderson presentó su primera colección femenina para Dior, inaugurando una nueva fase para la maison con un desfile que cruzó historia, cine y tecnología.
El espectáculo comenzó con la pregunta proyectada en una pirámide invertida: ¿Te atreves a entrar en la Casa de Dior? En la pantalla, un filme firmado por el documentalista británico Adam Curtis mezclaba imágenes de antiguos desfiles de la marca con escenas de clásicos de terror de los años 1960 y fragmentos de la historia de sus directores anteriores, de Yves Saint Laurent a Maria Grazia Chiuri. Al final, el vídeo parecía ser succionado hacia dentro de una caja de zapatos, metáfora creada por Anderson para hablar de memoria, miedo y reinventión.

No centro da passarela, instalada nos Jardins das Tulherias, o cenário refletia essa ideia de transição. A pirâmide invertida pairava sobre um espaço de mármore cinza, em que modelos cruzavam luz e sombra vestindo peças que combinavam referências da alta-costura com códigos do cotidiano. A icônica jaqueta Bar surgia reduzida a proporções infantis, enquanto vestidos estruturados em tule e rendas se abriam em formas que lembravam asas. O contraste entre alfaiataria e transparência, rigidez e fluidez marcou o tom da coleção.
Em entrevista, Anderson descreveu o processo como um diálogo entre harmonia e tensão. Inspirado por décadas da história da Dior, ele afirmou não querer romper com o passado, mas abrir a caixa e reorganizar o que há dentro dela. Esse gesto simbólico de reorganização permeou todo o desfile, das saias em tafetá arquitetônico às microembroiders que revisitavam a tradição artesanal dos ateliês da marca.
A coleção também marcou o início de um novo capítulo estratégico para a Dior. Como primeiro diretor criativo a comandar simultaneamente as linhas masculina e feminina, Anderson propõe uma leitura transversal da moda. O mesmo olhar escultórico que redefine volumes em Loewe aparece aqui aplicado à herança da maison, aproximando experimentação e herança cultural.

Com um elenco que incluía Charlize Theron, Rosalía, Jisoo e Brigitte Macron na plateia, a estreia foi recebida com uma ovação de pé. A Dior de Anderson não se refugia no passado, ela o reprograma, transformando o arquivo em campo de experimentação. Entre o cinema, a arquitetura e o gesto de costurar, o desfile reafirma que a moda, quando vista como linguagem, continua sendo uma das mais potentes formas de pensar o tempo.

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