Santa Resistência : s’habiller comme territoire d’appartenance

Fondée par Mônica Sampaio, Santa Resistência prolonge un parcours fait de courage, de transition et de mémoire.

Caíque Nucci

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Fundada por Mônica Sampaio, a Santa Resistência é uma extensão de uma trajetória de coragem, transição e memória. Engenheira eletricista por formação, Mônica transformou a experiência acumulada em campos tradicionalmente masculinos em combustível para criar uma nova linguagem visual afro-brasileira, conectando tecnologia, ancestralidade e afeto.

Desde 2015, sua marca constrói um repertório que se desdobra entre o recôncavo baiano e as diásporas africanas, apresentando peças que funcionam como mapas vivos de identidade. Em cada coleção, o tempo se dilata: a pesquisa sobre história, modelagem e matéria-prima se traduz em roupas que carregam ritmos próprios.

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Na 58ª edição da São Paulo Fashion Week, a Santa Resistência apresentou a coleção Manifesto Ancestral, em que passado e futuro se entrelaçam como parte de uma cartografia afetiva. Cores intensas (vermelho, roxo, azul-mar e verde-água) se espalham sobre estampas criadas com Auxi Silveira, enquanto o manto Maasai, desenvolvido por Alex Rocca, atua como símbolo visual de travessia e memória. A escolha dos materiais (algodão orgânico, seda de algodão, linho, tafetá, crepe e couro de tilápia com rastreamento por QR Code) reforça a convergência entre tradição e inovação, ancestralidade e tecnologia.

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Com produção artesanal, ciclo ético e inserção no circuito slow fashion, a Santa Resistência inscreve sua presença em uma moda de impacto cultural. Já integraram o Sankofa, iniciativa formada por marcas racializadas que tensionam os códigos vigentes nas passarelas do SPFW, e somam passagens por programas como Afrolab, Sebrae Moda Afro e a plataforma Nordestesse.

O que Mônica propõe são dispositivos de escuta, acolhimento e expressão. Ao vestir uma peça da Santa Resistência, corpos negros ocupam o espaço público com intenção, memória e orgulho. A marca se firma, assim, como um instrumento de retomada simbólica e reconexão com o que nos antecede e nos projeta.

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Karoline Georges @karolinegeorges.art é uma artista canadense que trabalha na interseção entre imagem, tecnologia e narrativa.

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