O pai que o presente não vê

Aramis, Urban, LIVO e Lacoste apresentam suas coleções de agosto. O que elas têm em comum é uma leitura da paternidade que mudou nos últimos anos.

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Caíque Nucci
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Escrito por Caíque Nucci

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O presente de Dia dos Pais tem um problema de endereço. Ele costuma ser comprado para uma figura, o pai genérico do comercial de agosto, e entregue a uma pessoa específica, que agradece pelo gesto e guarda o objeto numa gaveta. A gravata, a caneca com a piada, o kit de churrasco de quem nunca fez churrasco. Nada disso é sobre o homem que recebe. É sobre o papel que ele ocupa.

A campanha da Lacoste para este ano ataca esse problema pela raiz. Em vez de contar a história do pai pelo olhar dos filhos, ela vira a câmera para o próprio homem. O filme se chama Também conhecido como: antes de serem apresentados pelo nome, os protagonistas aparecem pelo papel que reorganizou suas vidas. O pai da Luiza e do Kalu também é conhecido como Rafael Zulu. O pai do Francisco e da Tereza também é conhecido como Renato Góes.

Rafael Zulu e Renato Góes na campanha de Dia dos Pais da Lacoste
Rafael Zulu e Renato Góes na campanha de Dia dos Pais da Lacoste

A escolha dos dois não é ilustrativa. Um está com a paternidade já assentada, o outro atravessa os primeiros anos, e a distância entre eles impede a peça de virar retrato único. A tese é que a paternidade não fabrica um homem novo, ela revela o que já estava ali, todo dia, um pouco mais.

Assumida essa premissa, a pergunta do presente muda. Não é o que se dá a um pai. É o que esse homem escolheria para si se ninguém estivesse olhando. É essa a pergunta que organiza o que vem a seguir.

Aramis: a peça que não datou

A Aramis faz alfaiataria masculina desde 1991 apostando numa ideia impopular no varejo de moda, que é a de que roupa boa não anuncia o ano em que foi comprada. Numa lista de presentes isso vira vantagem prática: o risco de errar cai quando a peça não depende de uma temporada para fazer sentido.

A coleção deste inverno se organiza em três níveis de aposta. A camiseta básica e a calça Color Five são o terreno seguro, o presente que ninguém devolve. A camisa de manga longa e o tricô resolvem a passagem do escritório para o jantar sem exigir troca no meio do caminho, que é onde a maior parte dos homens perde tempo. A jaqueta bomber, a quase cinco mil reais, é o objeto de desejo do catálogo, para quem quer transformar agosto em acontecimento.

Urban: quando a tecnologia some da roupa

A moda masculina costuma resolver mal a roupa técnica. Ela quase sempre entrega o jogo pela aparência: sai do armário parecendo equipamento, e o homem que queria conforto acaba vestido de atleta a caminho de uma reunião. A Urban, da mesma casa da Aramis, trabalha o caminho inverso, usando tecido de desempenho e escondendo a evidência dele.

A linha Bonded é o melhor argumento nessa direção. Ela elimina as costuras aparentes em gola, punhos e barras, e o resultado é uma peça de acabamento limpo que não conversa com a estética esportiva. A calça usa elasticidade em quatro direções; a polo e a camiseta levam seda na composição. Fora dela, a polo Scuba Neoflex dispensa ferro de passar, e a jaqueta 3Ways se separa em duas, uma de malha térmica e um colete repelente a líquidos.

A campanha traz o nadador Gustavo Borges e o filho, Luiz Gustavo, os dois com passado de alto rendimento e hoje trabalhando juntos fora da piscina. Para uma marca que vende tecido técnico, é uma escolha que fala de continuidade em vez de desempenho, o que é mais raro do que parece.

LIVO: o objeto que ele usa sem perceber

Óculos de leitura é a categoria mais subestimada de agosto e a mais fácil de acertar. Quase todo homem depois dos quarenta tem um par comprado às pressas em farmácia, riscado, esquecido em algum cômodo da casa. A vista cansa antes do que se espera, e isso não é doença, é tempo de tela.

A LIVO trata a categoria como design, não como conveniência. As armações usam TR90, um material cerca de metade mais leve que o acetato, o que importa em um objeto de uso contínuo. A linha readers batizou os modelos em homenagem a Hilda Hilst e a Mário de Andrade, escolha de posicionamento bem acima da média do setor.

Os modelos custam entre R$ 119,70 e R$ 499. A própria marca faz a ressalva, e ela vale registrar: óculos de grau pronto não substitui consulta oftalmológica.

O Dia dos Pais cai em 9 de agosto. As quatro coleções estão nas lojas físicas e nos sites das marcas.

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