SPFW N60: Catarina Mina
Conocida por su trabajo con encaje de bilro, paja de carnaúba y ganchillo, Catarina Mina amplía ahora su repertorio manual, incorporando el bordado de Caicó, de Río Grande del Norte, reconocido como Patrimonio Inmaterial Brasileño, y el Richelieu de Maranguape, técnica de recorte y bordado de alta sofisticación, tradicional en uno de los municipios más antiguos de Ceará.
Escrito por
Sarah Rocksane AraujoEscrito por Sarah Rocksane Araujo
Redacción, Moda y Belleza
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En su tercera participación en la SPFW, la marca cearense Catarina Mina presenta la colección “Carnaúba”, consolidando una posición singular en el escenario de la moda brasileña: la de transformar el hacer artesanal en proyecto estratégico de futuro. Más que desfilar ropa, la marca propone un reposicionamiento del artesanato nordestino, no como cita estética o apelación afectiva, sino como tecnología social, economía circular y lenguaje de moda autoral. La colección marca un punto de expansión importante. Conocida por su trabajo con encaje de bilro, paja de carnaúba y ganchillo, Catarina Mina amplía ahora su repertorio manual, incorporando el bordado de Caicó, de Río Grande del Norte, reconocido como Patrimonio Inmaterial Brasileño, y el Richelieu de Maranguape, técnica de corte y bordado de alta sofisticación, tradicional en uno de los municipios más antiguos de Ceará. Esta integración entre territorios artesanales crea una narrativa de Nordeste expandido, donde las fronteras estatales ceden lugar a una cartografía colaborativa de saberes manuales.
El bordado manual, desarrollado por madres en situación de vulnerabilidad económica, no es tratado como mero detalle decorativo, sino como fuente de ingresos digna y autonomía creativa. Catarina Mina reafirma que la valorización de la materia prima también significa valorización de la mano de obra y la historia.

A escolha da carnaúba como eixo central da coleção é deliberada e simbólica. Conhecida como “árvore da vida”, ela representa não apenas a paisagem do Ceará, mas a lógica de aproveitamento total: nada se descarta, tudo se transforma, um princípio ancestral que antecede e supera qualquer discurso de sustentabilidade de passarela. A árvore aparece em bordados maximalistas sobre linho e Richelieu, no kaftan que se torna peça-chave do desfile, e também em leituras fragmentadas : folha, caule e fruto surgem como inscrições discretas, quase cartográficas. As estampas Palma e Noir, pintadas em aquarela, apresentam a árvore em variações que simbolizam o dia e a noite de um carnaubal, conferindo à coleção uma camada poética sem perder o rigor técnico. O uso de tecidos nobres como seda, linho, rami e algodão de base natural reforça a ideia de um luxo enraizado, onde o valor está mais no tempo de feitura do que na aspiração internacional.
Ao elevar técnicas como a renda de bilro e o Richelieu a uma dimensão contemporânea, Catarina Mina rompe com o estereótipo do artesanato como algo “rústico” ou “folclórico”. O crochê, a palha e os bordados não funcionam como nostalgia, mas como matriz estética de sofisticação, alinhada à moda global, sem abrir mão da identidade territorial. Nas bolsas e acessórios, a delicada palha de buriti aparece em novos formatos, reforçando uma estética de utilidade refinada.

Mais do que celebrar a carnaúba, a coleção celebra quem colhe, quem tranç a, quem borda, quem transforma. E lembra que, no Brasil, moda de futuro pode nascer do trabalho de mãos que conhecem a terra, não apenas das telas.

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