Anton Berkasov toca su propio arte como quien toca un instrumento
El artista nacido en Moscú y radicado en Tbilisi abandonó la idea de terminar una obra. Con un controlador conectado al sistema, improvisa los parámetros con las manos y graba el instante en que la imagen acierta.
Escrito por Caíque Nucci
Fundador · 14 de agosto de 2026
Ante la cámara, en la oscuridad, un hombre mueve las manos y el aire a su alrededor responde. Nubes de partículas se abren en membranas, se doblan como tela húmeda, adquieren bordes coloreados por un instante y se desvanecen. Su cuerpo permanece allí, desenfocado al fondo, mientras las formas que dirige ocupan el frente de la imagen. No es un efecto aplicado después. Es lo que ocurre en la pantalla en ese segundo, y así es como Anton Berkasov trabaja.
Generalista 3D e artista generativo, Berkasov construiu um método que contraria a lógica de quase toda a produção digital. Em vez de montar uma cena, ajustar parâmetros e mandar renderizar, ele liga um controlador ao sistema e opera a animação ao vivo, com as mãos, procurando os valores certos enquanto a imagem se forma. Quando alguma coisa acerta, ele aperta o botão de gravar e segue adiante. Quase nada do que publica passa pelo processo tradicional de fechar um arquivo final.
O trabalho que não termina
A decisão nasceu de um incômodo. Berkasov conta que definir o ponto final de uma peça sempre foi a parte mais difícil do ofício, e que sofreu com isso enquanto trabalhava com 3D, porque em algum momento é preciso encerrar o processo e produzir o arquivo definitivo. A saída foi deixar de encerrar. O que aparece no perfil dele são registros ao vivo de uma prática em curso, e não obras concluídas.
Da engenharia à imagem
O percurso até aqui foi longo e nada retilíneo. Berkasov estudou engenharia optoeletrônica, um campo que mistura óptica e eletrônica e que lhe deu anos de matemática, física e raciocínio técnico. Ele faz questão de dizer que não é matemático nem físico, mas reconhece que aquela formação moldou o jeito como pensa sistemas visuais, simulação e luz.
Depois da engenharia veio a fotografia, na qual trabalhou por anos e que, segundo ele, formou o olho mais do que qualquer outra coisa: luz, composição, textura, atmosfera. Só então apareceram o 3D e o Houdini, e as peças começaram a se encaixar umas nas outras. Ele descreve o resultado menos como uma escolha de carreira e mais como uma chegada lenta.
Hoje a ferramenta é o TouchDesigner, ambiente de programação visual usado em instalações e espetáculos ao vivo. Berkasov diz ter testado uma quantidade grande de programas antes de ficar com esse, e o defende pelo que ele permite construir: com o modo certo de pensar, quase tudo cabe ali dentro.
O que ele olha
As referências dele não vêm primeiro de outros artistas. Vêm da física e da natureza, no sentido mais amplo: plantas, pedras, materiais, estruturas, qualquer coisa da realidade que possa ser imaginada como algoritmo ou como lógica. A mecânica quântica, que estudou na universidade, ficou como uma obsessão que ele tenta imaginar visualmente até hoje. Entre os artistas, cita H. R. Giger e Simon Stålenhag, e avisa que a lista é bem maior.
Para onde isso vai
Berkasov evita tratar o próprio trabalho como o futuro de alguma coisa. O que ele afirma é o interesse por sistemas visuais em tempo real, responsivos e vivos, e um desinteresse crescente por conteúdo pré-renderizado. O caminho que gostaria de seguir passa por instalações ao vivo e por sistemas capazes de existir, reagir e mudar no momento.
Nascido em Moscou, ele vive há quatro anos em Tbilisi, na Geórgia, com a família. O trabalho pode ser acompanhado no perfil dele, onde cada publicação é menos um produto acabado que um recorte de algo que continua acontecendo.
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Karoline Georges @karolinegeorges.art é uma artista canadense que trabalha na interseção entre imagem, tecnologia e narrativa.
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