Agressões e disputas públicas reacendem debate sobre conduta e comunicação em salões de beleza
Uma sequência de agressões e brigas públicas entre clientes e salões expõe uma pergunta que o setor de beleza vinha evitando: o que fazer quando a frustração do consumidor ultrapassa qualquer protocolo de atendimento.
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Escrito por Caíque Nucci
Editor-chefe
Uma sequência de agressões e disputas públicas entre clientes e salões expõe uma pergunta que o setor de beleza vinha evitando: o que fazer quando a frustração do consumidor ultrapassa qualquer protocolo de atendimento. Reclamação virou espetáculo, e a linha entre direito de reclamar e exposição perdeu contorno.
Dois episódios recentes tornaram esse dilema concreto: a agressão a um cabeleireiro em São Paulo por uma cliente insatisfeita e a briga pública entre a influenciadora Malévola e um salão de Alphaville. Os dois casos levantam a mesma questão de fundo: até onde vai o direito de reclamar, e o que acontece quando a insatisfação transborda para a violência ou a exposição pública.
O tema está longe de ser pontual. Levantamento do Sebrae mostra que 236 mil pequenos negócios de beleza foram abertos no Brasil em 2025, alta de 18,5% ante o ano anterior: o equivalente a 27 novas empresas por hora. Um setor que cresce nesse ritmo amplia a concorrência, acelera a profissionalização e, ao mesmo tempo, escancara o quanto ainda falta amadurecer em transparência e condução de conflitos.
Para Saulo Abrahão, fundador do salão DUO+ e mentor de donos de salão, os episódios recentes somam falhas de comunicação, expectativas desalinhadas e baixa tolerância à frustração, de ambos os lados do balcão. "Beleza é serviço emocional. A cliente não compra apenas um procedimento, mas expectativa, autoestima e transformação", diz.
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