Anton Berkasov toca a própria arte como quem toca um instrumento

O artista nascido em Moscou e radicado em Tbilisi abandonou a ideia de finalizar uma obra. Com um controlador ligado ao sistema, ele improvisa os parâmetros com as mãos e grava o instante em que a imagem acerta.

Caíque Nucci

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Diante da câmera, no escuro, um homem move as mãos e o ar em volta responde. Nuvens de partículas se abrem em membranas, se dobram como tecido molhado, ganham bordas coloridas por um instante e se desfazem. O corpo dele continua ali, desfocado ao fundo, enquanto as formas que ele conduz ocupam a frente da imagem. Não é um efeito aplicado depois. É o que está acontecendo na tela naquele segundo, e é assim que Anton Berkasov trabalha.

Generalista 3D e artista generativo, Berkasov construiu um método que contraria a lógica de quase toda a produção digital. Em vez de montar uma cena, ajustar parâmetros e mandar renderizar, ele liga um controlador ao sistema e opera a animação ao vivo, com as mãos, procurando os valores certos enquanto a imagem se forma. Quando alguma coisa acerta, ele aperta o botão de gravar e segue adiante. Quase nada do que publica passa pelo processo tradicional de fechar um arquivo final.

O trabalho que não termina

A decisão nasceu de um incômodo. Berkasov conta que definir o ponto final de uma peça sempre foi a parte mais difícil do ofício, e que sofreu com isso enquanto trabalhava com 3D, porque em algum momento é preciso encerrar o processo e produzir o arquivo definitivo. A saída foi deixar de encerrar. O que aparece no perfil dele são registros ao vivo de uma prática em curso, e não obras concluídas.

Da engenharia à imagem

O percurso até aqui foi longo e nada retilíneo. Berkasov estudou engenharia optoeletrônica, um campo que mistura óptica e eletrônica e que lhe deu anos de matemática, física e raciocínio técnico. Ele faz questão de dizer que não é matemático nem físico, mas reconhece que aquela formação moldou o jeito como pensa sistemas visuais, simulação e luz.

Depois da engenharia veio a fotografia, na qual trabalhou por anos e que, segundo ele, formou o olho mais do que qualquer outra coisa: luz, composição, textura, atmosfera. Só então apareceram o 3D e o Houdini, e as peças começaram a se encaixar umas nas outras. Ele descreve o resultado menos como uma escolha de carreira e mais como uma chegada lenta.

Hoje a ferramenta é o TouchDesigner, ambiente de programação visual usado em instalações e espetáculos ao vivo. Berkasov diz ter testado uma quantidade grande de programas antes de ficar com esse, e o defende pelo que ele permite construir: com o modo certo de pensar, quase tudo cabe ali dentro.

O que ele olha

As referências dele não vêm primeiro de outros artistas. Vêm da física e da natureza, no sentido mais amplo: plantas, pedras, materiais, estruturas, qualquer coisa da realidade que possa ser imaginada como algoritmo ou como lógica. A mecânica quântica, que estudou na universidade, ficou como uma obsessão que ele tenta imaginar visualmente até hoje. Entre os artistas, cita H. R. Giger e Simon Stålenhag, e avisa que a lista é bem maior.

Para onde isso vai

Berkasov evita tratar o próprio trabalho como o futuro de alguma coisa. O que ele afirma é o interesse por sistemas visuais em tempo real, responsivos e vivos, e um desinteresse crescente por conteúdo pré-renderizado. O caminho que gostaria de seguir passa por instalações ao vivo e por sistemas capazes de existir, reagir e mudar no momento.

Nascido em Moscou, ele vive há quatro anos em Tbilisi, na Geórgia, com a família. O trabalho pode ser acompanhado no perfil dele, onde cada publicação é menos um produto acabado que um recorte de algo que continua acontecendo.

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Karoline Georges @karolinegeorges.art is a Canadian artist who works at the intersection of image, technology and narrative

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